Publicado em: 13/02/2017 - Última modificação: 15/02/2017 - 18:12
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Colecionador de pranchas e caçador de histórias; surfista sonha em montar museu

ESPORTE - Catalogar pranchas e histórias virou seu grande hobby; montar museu do surf é um sonho que planeja concretizar em breve



Museu do Surf
O sonho de montar um espaço dedicado ao surf surgiu há quatro anos. De início a ideia era expor pranchas antigas, mas com o tempo o objetivo ganhou corpo com novas histórias e experiências de surfistas

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Há 22 anos, o guarda-vidas temporário Cristian Carneiro Bernardo não imaginava que seu futuro estaria elencado ao surf. Mesmo tendo morado em frente à praia grande parte da infância e da juventude, não ansiava pelo esporte, gostava de andar de skate. De um conhecido ganhou sua primeira prancha, aos 16 anos, e decidiu se arriscar para descobrir essa tal “adrenalina” de quem desliza nas ondas. Hoje, aos 38 anos, é apaixonado por surf e coleciona pranchas, atualmente 30, datadas a partir de 1960. Catalogar histórias virou seu grande hobby e montar um museu é o sonho que planeja concretizar em breve.

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Emparedadas a menos de 10 centímetros, umas ao lado das outras, as pranchas são etiquetadas e recebem tratamento especial das mãos de Cristian, que tem a incumbência de cuidar dos reparos já que é profissional de ‘fiberglass’, especialidade de quem mexe com fibra de vibro e resina. Também conhece a técnica de produzir quilhas, habilidades que adquiriu com Paulo Diz.

“Aprendi a fazer quilhas com esse amigo e elas são artesanais. Fazemos quilhas de encaixe, molde a vácuo, com fibra de carbono. Por causa do custo, tivemos de criar uma automação ao nosso modo”, explica. “As pranchas têm identidade porque foram produzidas em outros países. Aqui, é possível encontrar pranchas da Califórnia, do Havaí, uma mistura de culturas”. Desde que descobriu a paixão pelo esporte, o guarda-vidas reserva parte das economias para ampliar o acervo.

Há nove anos trabalha como guarda-vidas. Mesmo em dias cansativos, o surfista não abre mão de “cair” no mar. Pelo menos três dias por semana. Indagado sobre a falta de tempo para a prática do esporte, a resposta está na ponta da língua. “Sacrifico meu almoço por 30 minutos no mar. Quando não consigo, surfo no fim da tarde”, ressalta com brilho no olhar. A Praia dos Pescadores, também conhecida como Prainha, o píer de Mongaguá e a reserva ecológica Arpoador, em Peruíbe, são as prediletas. “Já fui para o Peru para surfar, mas nunca peguei uma onda muito grande. Adoro entrar na água em Itanhaém. Esta é minha casa, meu lar”, conta.

Não se sabe ao certo a origem do surf, mas historiadores defendem a ideia de que tenha surgido nas Ilhas Polinésias. No Havaí, por exemplo, o esporte tornou-se uma cultura, berço para surfistas em busca de ondas que, em ventos fortes, chegam até 21 metros de altura. Com o passar dos anos, as pranchas, que antes eram de madeira, foram ganhando flexibilidade com materiais mais leves. A moniquilha (uma quilha), biquilha (duas), triquilha (três) e quadriquilha (quatro) vieram para dar direcionamento, estabilidade e projeção.

“Na época, uma prancha chegava a pesar 20 quilos, hoje cerca de 2 quilos. Antes, o trabalho era mais artesanal, hoje se uma pessoa quiser uma prancha igual a do Gabriel Medina, o computador consegue calcular precisamente o tamanho e os detalhes”.

O sonho de montar um espaço dedicado ao surf surgiu há quatro anos. De início a ideia era expor pranchas antigas, mas com o tempo o objetivo ganhou corpo com novas histórias e experiências de surfistas. “O museu fará parte na história do surf mundial porque temos pranchas da Califórnia, Havaí e Rio de Janeiro. A Cidade é um celeiro porque atrai pessoas de várias localidades. Se entrar uma frente fria vinda do Sul, você consegue surfar no Cibratel; se entrar uma ondulação do Sudeste, você consegue surfar na Praia do Sonho e se entrar uma ondulação de leste, você consegue surfar na Prainha e no Praião. São muitas opções”, conclui.


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