Publicado em: 08/03/2017 - Última modificação: 15/03/2017 - 18:40
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“No início eu não queria, mas vi que não conseguia ficar de pé”, diz ex-morador de rua

MEMÓRIAS - Histórias de quem viveu anos na rua e hoje encontrou o caminho para a reintegração social




Centro POP - Personagens
Sinônimos com grande representatividade nas vidas de Nelson Roberto Ribeiro, de 50 anos, e de José Merisio, de 57 anos, que, de uma forma ou de outra, têm suas histórias cruzadas

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Acolhimento no dicionário é o mesmo que proteção, esperança e consideração. Sinônimos com grande representatividade nas vidas de Nelson Roberto Ribeiro, de 50 anos, e de José Merisio, de 57 anos, que, de uma forma ou de outra, têm suas histórias cruzadas. Ambos passaram anos como moradores de rua antes de chegarem à Casa de Acolhimento João Paulo II, quando voltaram a sentir o verdadeiro significado da palavra família. Entre os principais motivos que levam pessoas às ruas estão o rompimento com o vínculo familiar e o vício em álcool e drogas.

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Pouco antes das oito horas da manhã um veículo com equipe de abordagem social de rua encosta junto à calçada da rodoviária, uma das mais movimentadas de Itanhaém. A missão é convencer moradores de rua a passar por um dos equipamentos da Secretaria Municipal Assistência e Desenvolvimento Social, mais precisamente pelo Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro POP.

Acostumado a olhares soslaios, Nelson Roberto, diz que quando estava na rua era tratado como invisível pela maioria da população. “Fui morador de rua há quatro anos. Sou de São Vicente, da Vila Margarida. Fui parar na rua porque não me entendia com parentes, me envolvi com o álcool. Passei por várias cidades até chegar aqui e morei na rodoviária”, conta. Ele diz que resistiu até aceitar a ajuda dos abordadores.

“No início eu não queria, mas quando percebi que minha situação estava muito ruim por causa da bebedeira tive de tomar uma decisão, ou lutava ou desistia”, relembra Nelson. Ele está se preparando para sair do abrigo. Desde que escolheu a rua como lar, perdeu o contato com a família. Agora se prepara para torna-se caseiro de uma residência. “Só tenho elogios para fazer a este pessoal que me recebeu de braços abertos, com muito carinho. Este lugar mudou a minha vida, para melhor, claro”.

O ex-morador de rua José Merisio esteve por 14 anos ao relento. Ele conta que durante este tempo tomava, em média, dois litros de bebida alcoólica. Permanecia embriagado quase que todos os dias. “Um horror. Quando eu era jovem fui tentar a sorte como jogador de futebol. Por um tempo ganhei dinheiro, mas me envolvi com álcool. Saí de casa e, quando o dinheiro acabou, fui parar na rua. Hoje enfrento problemas de saúde por causa da cachaça”, explica. “O Centro POP me direcionou a este lugar e pela primeira vez em anos faço algo que seja bom para mim. Esta casa é abençoada”.

Quando encaminhados à instituição, os trabalhos dos profissionais não param, pelo contrário, são intensificados. Há um direcionamento para aqueles que não concluíram o Ensino Fundamental ou Médio para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Enquanto permanecem no local, eles também são direcionados a cursos do Mais Oportunidades, no Centro de Treinamento Profissionalizante de Itanhaém (CETPI).

Programa resgata vínculo familiar

O Centro POP é mais um equipamento público e serve como ferramenta de proteção social e auxilia a população em situação de rua. Um dos trabalhos pertinentes da equipe é o fortalecimento do vínculo com a família, já que esta situação contribui para o aumento da população em situação de rua. “É um trabalho importante de inclusão social porque oferece um espaço de referência para o convívio grupal, social e de relações afetivas e de solidariedade”, conta o secretário de Municipal Assistência e Desenvolvimento Social, Rogélio Ferreiro Rodrigues Salceda.

Pessoas em situação de rua passam por uma triagem, antes de chegar à instituição. A porta de entrada para esses serviços é o Centro POP, com atendimento psicossocial, acesso à documentação civil, encaminhamento para rede socioassistencial e setorial (CAPS AD, CREAS, entre outros), acompanhamento do acesso ao Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) e Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e o cadastramento no CadÚnico.


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