Publicado em: 10/03/2017 - Última modificação: 27/03/2017 - 18:17
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Saxofonista de 98 anos tem mais de 80 dedicados à música

CULTURA - Maestro Sarrafo construiu, em Itanhaém, uma escola de música no terraço de casa para ensinar gratuitamente as técnicas que aperfeiçoou ao longo de anos



Maestro Sarrafo
Saxofonista montou uma escola dentro de casa

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Na vida de Amintas José da Costa, o maestro Sarrafo, de 98 anos, a música se tornou personagem essencial da sua trama, peça-chave de seu universo desde a infância, quando aprendeu a dedilhar as primeiras partituras no saxofone. Percebeu naquele momento que a música não seria apenas um pano de fundo para contar sua história, mas um álibi perfeito para a construção de uma carreira de instrumentista que dedicou mais de 80 anos da vida.

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Costuma prosear que a música salvou sua vida. Quando jovem foi convocado a servir no exército durante a Segunda Guerra Mundial. Embarcou do Rio de Janeiro a Recife, viagem que durou quase uma semana em alto mar. “Levei meu saxofone, era minha bengala”, brinca. “Estava sempre ao meu lado”. Quando ancorou, foi indagado sobre o instrumento. Demonstrou que tinha talento, que fazia isso decor e salteado. “Pediram para eu provar, provei tocando. Eles pediram para eu ensinar música militar aos recrutados”, recorda.

Postergava seu tempo na base instalada em Recife ensinando música aos militares. “As pessoas eram chamadas, e eu ia ficando. Digo que a música salvou a minha vida porque todos que foram convocados para a guerra não voltaram, morreram. Por isso, costumo afirmar que a música definitivamente salvou a minha vida”, contextualiza o segundo sargento da força pública.

Sua história perpassa também pelo rádio e pela TV. Participou de programas de rádios, nos tempos em que sonoras e aberturas de novelas eram tocadas ao vivo. Seu talento passou do rádio para o preto e branco das telas da TV. Nesse período, além de ouvir, as pessoas podiam assistir quem estava por trás do instrumento de sopro. “Participei da orquestra do Silvio Santos, inclusive do seu primeiro programa exibido pelo SBT. Também estive com o Chacrinha, na TV Globo”.

Em São Paulo, quando tocava em bares e casas noturnas, ganhou o apelido de Sarrafo. “As pessoas diziam ‘toca o Sarrafo’, mas aos poucos foram tirando ‘o toca’ e ficando o Sarrafo”, motivo que deu origem ao apelido que carrega até hoje. A maestria com que tocava e lia uma partitura fez com que uma palavra fosse incluída ao seu apelido, hoje chamado de ‘maestro Sarrafo’.

ITANHAÉM – Quando se mudou para o Litoral Sul de São Paulo, Sarrafo trabalhou como docente na Casa da Música, da Prefeitura de Itanhaém, e construiu uma escola dedicada à música na varanda da própria residência, na Cabuçu. “Quero que as pessoas tenham a mesma oportunidade que tive quando era jovem”. Hoje, o espaço está à disposição de qualquer pessoa que queira aprender.

Para o instrutor de bateria da Casa da Música, Antônio Eduardo Campos Sheen, o convívio com o Sarrafo é sempre enriquecedor aos profissionais da área. “Quando trabalhou com a gente, foi um período produtivo. A história dele serviu como inspiração para os músicos daqui. Ele virou um símbolo de dedicação”.

INFÂNCIA – Nascido em Aracaju, estado de Sergipe, Amintas conheceu a música popular na juventude, aos 14 anos, quando foi apresentado a uma “bandinha” local. Começou a participar dos ensaios e não demorou a se apaixonar pelo instrumento de sopro.

Anos depois fincou a ideia de seguir carreira de músico, queria aprender, queria ensinar. Aos 18 anos, decidiu que era o momento certo para conhecer novos ares, e Rio de Janeiro foi o destino escolhido. “Meu pai tinha um “compadre” que me recebeu no Rio”, lembra com orgulho. “No nordeste tínhamos praias, mas no Rio tínhamos Copacabana. Conheci muitos músicos que me deram oportunidades incríveis”. Na Escola de Música do Rio de Janeiro, foi convidado a participar de um curso para quem não tinha o ensino fundamental. “Como não tinha o primário, não pude me graduar na Escola, mas aprendi as mesmas técnicas dos que estavam na graduação”.


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