Publicado em: 30/03/2017 - Última modificação: 10/04/2017 - 19:44
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De sangue e do coração, uma lição de amor

EDUCAÇÃO - A palavra união faz muito sentido a esta família e acaba recebendo um significado especial



Família José Benedito
A palavra união faz muito sentido a esta família e recebe significado especial

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Não há espaço para todos. Mas aperta daqui, aperta dali e pronto. O sofá é como o coração de José Benedito dos Santos: sempre cabe mais um. Em fevereiro, ele e Benita Elias dos Santos completaram 49 anos de casamento, um relacionamento que rendeu exatos 18 filhos, seis biológicos e os outros doze “adotados”, os de criação. A palavra união faz muito sentido a esta família e acaba recebendo um significado especial. É sinônimo de respeito, gratidão, carinho e ensino.

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Aos 73 anos, JB, como gosta de ser chamado, tem um histórico longo na área educacional. Cursou ‘educação’, hoje pedagogia, numa faculdade no interior de São Paulo. Parou no segundo ano para fazer magistério em São Vicente, em 1974. Naquela época, cidades apresentavam poucos recursos para quem sonhava em concluir os estudos. A educação foi o principal pilar por ser capaz de mudar uma nação, um pensamento, uma atitude. “Estudar para mim sempre foi prioridade. No início, queria medicina, mas optei por educação por causa da acessibilidade”.

Professor aposentado do Estado, Benedito construiu sua carreira em cima de boas práticas. No período em que eram escassas escolas de Ensino Fundamental e Médio na Cidade, JB montou, com a ajuda de alguns professores, Maduzera, que ministrava disciplinas dos antigos ginásio e colegial, hoje conhecido como a Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Nunca deixei de estudar. Tenho três diplomas universitários, além de pós-graduação. Ensino superior em pedagogia – em ênfase em matemática e biologia, diploma em geografia com habilitação em história e graduação em direito”.

Na atuação como docente, foi diretor nas Escolas Municipais Professora Maria Conceição Luz, no Jardim São Fernando, e Professora Divani Maria Cardoso, no bairro Vila Loty, além de professor concursado na Escola Estadual Professor Jon Teodoresco, no Mosteiro.

FAMÍLIA – A primeira a chegar à casa foi Eva dos Santos, então com 7 anos de idade. Quando trabalhou como auxiliar do cartório eleitoral no Fórum de Itanhaém, em 1964, Benedito passou a conhecer a realidade de crianças que, de alguma forma, tinham registros de abandono ou conflitos familiares. Ela foi a primeira de doze que passariam pela casa de Benedito e Benita.

Benita, de 67 anos, esposa de Benedito, largou o trabalho de feirante para se dedicar especialmente a Natalina dos Santos da Silva, também adotada, hoje com 18 anos. Ela possui paralisia cerebral, provocada por falta de oxigênio no cérebro durante o parto. A gêmea dela é Natália dos Santos da Silva, que também foi adotada pelo casal aos três meses de vida. “Esta família foi a melhor coisa que Deus pode nos proporcionar. Tudo que sou devo a eles”, conta Natália.

A casa costuma ficar cheia em datas comemorativas como Natal e Ano Novo. Momento em que JB e Benita aproveitam para matar a saudade dos filhos e dos netos. “Mesmo morando comigo, nunca quis que eles perdessem o vínculo com os parentes de sangue”, diz Benita sobre os filhos de criação. “Eles são meus amores”.

INFÂNCIA – O filho biológico Wagner Regis Vieira dos Santos, de 47 anos, lembra com muito carinho da época em que moravam juntos. “Não há diferença, todos são iguais. Minha família representa muito para mim, mesmo porque hoje está cada vez mais comum encontrar famílias desestruturadas. O ato de adotar meus irmãos teve uma contribuição enorme para a sociedade. Meus pais são exemplos de amor ao próximo, independentemente de ser de sangue ou não”, conta.

Antônio Marcos Alves Paulina, de 44 anos, compartilha do mesmo pensamento. Acredita que o apoio que teve na adolescência foi crucial para traçar seu futuro. Decidiu seguir a área da educação, mesmo caminho do pai de criação. Hoje é professor de língua portuguesa e inglesa, lecionando na Escola Estadual Professor Jon Teodoresco. “Foi uma benção de Deus eles entrarem na minha vida e, a partir daí, mudar meu destino. Meus parentes biológicos eram do Nordeste, mas eu queria ficar. Então, tive a oportunidade de entrar para a família aos 13 anos, quando fui morar com eles. Fui ensinado sobre o que era certo e o que era errado”, conta com brilho no olhar.

 


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