Aldeia Indígena

Os Guarani vêm da família Tupi-Guarani, origem de diversas etnias indígenas presentes na América Meridional. Uma antiga tese afirma que os Tupi-Guarani formaram, muito antes da presença inicial dos europeus em território indígena, um só povo que se localizava às margens do Médio Paraná-Paraguai, de onde, tempos depois, empreenderam uma grande migração que tomaria três direções: um dos ramos subiria o litoral atingindo a foz do Amazonas; outro ramo estendera-se para o noroeste; o terceiro desceria os cursos dos rios Tapajós, Madeira e Uaicali.

Os Tupi-Guarani do litoral brasileiro ficaram conhecidos, à época da colonização, como Tupinambá, Tamoio, Tupiniquim, Carijó, Caeté, Tabajara, Potiguara, Guajajara, etc…

No Brasil, habitam três grupos Guarani de dialetos e fundamentos culturais diferenciados: os Ñandeva (maior população em território brasileiro); os Mbyá (a maioria das aldeias do litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo) e os Kaiguá (maior presença no Sul de Mato Grosso do Sul).

No território brasileiro, as rotas de penetração dos Mbyá foram iniciadas pelo Rio Grande do Sul, vindos da Argentina, viajaram pela costa brasileira e mais tarde formaram os aldeamentos de Rio Branco (SP); de Boa Esperança (ES) e Boa Vista (SP). Outra rota partiu do Paraguai, atingindo o estado do Paraná, formando vários aldeamentos (Palmeirinha, Rio das Cobras, etc..), que foram responsáveis também pela população de alguns aldeamentos em São Paulo e Rio de Janeiro.

 

Aldeia do Rio Branco

No estado de São Paulo, há 11 áreas Guarani definidas; somente uma área se encontra no interior do estado, as outras no litoral. Há também 3 locais onde residem índios Guarani mas eles não têm uma área demarcada e definida.

A população Guarani no estado de São Paulo, está estimada em 1800 índios (1997). Existe uma grande rotatividade entre os Guarani entre as reservas. A Aldeia Guarani do Rio Branco abrange parte dos municípios de Itanhaém, São Vicente e São Paulo – Estado de São Paulo, com 2.856 hectares, distribuídos: Itanhaém 1809 ha, São Vicente 426,5 ha e São Paulo 619,8 ha. Esta área fisicamente demarcada, foi homologada pelo decreto número 94.224 de 15 de Abril de 1987, pelo Governo Federal, através de um trabalho realizado pelo CIMI-Conselho Indigenista Missionário e FUNAI – Fundação Nacional do Índio.

São aproximadamente quinze hectares de desmatamento; o restante coberto por vegetação nativa e ainda por capoeiras antigas. A área situa-se no centro do Vale do Rio Branco, com uma faixa de aproximadamente 800 metros, compostos de terrenos planos e acidentados. A vegetação é típica da Mata Atlântica, com árvores de grande e médio porte, cipós e parasitas. Os principais cursos d’água dessa área são o Rio Branco e o Capivari, além de dezenas de pequenos córregos que irrigam o território.

 

A Escola

As escolas indígenas têm currículos e regimentos específicos com a educação bilingüe e elaborados pelos professores indígenas, juntamente com suas comunidades, lideranças, organizações e as assessorias. Nas escolas indígenas deve se ensinar o NANDE REKO (jeito de viver, costumes, crenças, tradição, jeito de trabalhar e com organização guarani). Para isso precisam ensinar em sua própria língua guarani mas precisam também aprender alguma coisa do “branco” (português, como segunda língua, as leis e outras coisas que os interessam).

 

A Economia

A economia Guarani baseia-se em atividade agrícola e de coleta. Produzem alguns alimentos em escala irrisória, como: banana, mandioca, milho, feijão, batata doce e cana de açúcar. A manutenção da atividade de caça entre os Guarani da atualidade explica-se muito mais para necessidade de dar continuidade a uma prática cultural, do que por sua contribuição na dieta alimentar das famílias, devido a escassez da fauna e a adoção dos costumes urbanos como a compra da carne na cidade e sua armazenagem em geladeiras.

A caça é desenvolvida sobretudo por homens adultos, algumas vezes, o cão é empregado nas caçadas. São capturados aves e mamíferos de médio e pequeno porte. A carne da caça não consumida imediatamente, após a captura, é salgada e defumada. Esta atividade é realizada com base nos padrões tradicionais, respeitando o ciclo de procriação dos animais, garantindo sua continuidade, não podendo ser comercializada.