Rio Itanhaém

Estuário do Rio Itanhaém

O ecossistema estuarino, que abrange todo o ambiente alimentado pelas águas salobras do encontro do rio com o mar e o manguezal situado nas suas margens, é considerado, como berçário de animais marinhos pela sua alta produção de plâncton (microalgas e pequenos organismos animais), que é a base da cadeia alimentar marinha. No município de Itanhaém, cujo território é de 599,017km2, encontra-se mais de 300km2 de Mata Atlântica preservada, entre florestas da Serra do Mar, Mata de Restinga e Manguezais. A maior parte destas florestas encontram-se inseridas no Parque Estadual da Serra do Mar. Dos restantes 299,00km2, cerca de 160km2 pertencem às áreas urbana e de expansão urbana onde existem vestígios de restinga e áreas de mangue significativas e nos 120km2 inseridos no vale dos Rios Preto e Branco, encontram-se áreas contínuas de restinga e mata em bom estado de continuidade e preservação.

Desta confluência de riquezas resultou o Estuário do Rio Itanhaém, berço do potencial pesqueiro regional. Nestas áreas estão contidos representantes dos principais ecossistemas litorâneos (Mangue, Restinga, Costão e Mata Atlântica) sendo que, nesta porção, os citados ambientes ainda se mantêm em bom estado de preservação, praticamente isentos de influências antrópicas degradadoras. Os morros de beira-mar, são densamente cobertos por Mata Atlântica com espécimes adaptadas à influência dos ventos predominantes e à alta salinidade.

 

Mangue do Piraguyra

Este espaço de mangue tem uma área aproximada de 278 ha (2.780.000m2) sendo que, aproximadamente 30% de sua área situa-se dentro da área urbana expandindo-se até os limites da zona de expansão urbana do município. Estas áreas estão localizadas na margem direita do Rio Itanhaém abrangendo o sopé do Morro do Piraguyra até a confluência deste rio com o rio Volta Deixada (Braço Mandipaúba) e, parte do perímetro interno da Ilha Curitiba, formada pelo Volta Deixada. No geral, este mangue está em bom estado de preservação, apresentando vegetação alta, com bons níveis de capacidade reprodutiva e fauna específica em expansão. Este manguezal encontra-se ligeiramente comprometido nas suas bordas marginais, dentro da cidade, onde limita com restinga ocupada antropicamente há muitos anos mas, verifica-se a ocorrência de processos de recuperação acentuada nas áreas de transição. Na margem direita do Rio Itanhaém o mangue é cortado e drenado pela Rodovia Padre Manuel da Nóbrega mantendo-se, no entanto, em semelhante estado de preservação em ambas porções.

 

Morro do Sapucaitava

O Morro do Sapucaitava foi declarado de utilidade pública em 15 de março de 1962 e mantém-se em boas condições de preservabilidade, sendo um dos passeios tradicionais da cultura itanhaense. Este ambiente abrange a Pedra do Carioca, na boca da barra do Rio Itanhaém, aberta ao mar e a Ilha das Cabras (Givura), defronte à Prainha (Praia dos Pescadores). A Ilha das Cabras é um prolongamento continental situado entre a Praia dos Pescadores e a Praia dos Sonhos, formada por rochas em toda a sua volta, com vegetação que media entre o topo e o sopé, composta por flora natural da Mata Atlântica adaptada ao ar marítimo e o crescimento entre as rochas. A Pedra do Carioca ou Itaqüanduva, constitui-se em formação rochosa aparente em maré baixa.

 

Restinga

As Matas de Restinga do vale dos Rios Preto e Branco ainda se mantêm preservadas constituindo-se em importante maciço vegetal contínuo. No município de Itanhaém, este ambiente está sendo progressivamente degradado pelo avanço das fronteiras de expansão urbana e, principalmente, pelas freqüentes invasões de áreas resultantes do permanente fluxo de posseiros oriundos de outros pontos do nosso país.

A maior área de expansão agrícola situa-se no vale do Rios Mambu e Branco, a Noroeste do município, onde se estabeleceram fazendas de bananicultura, no auge da sua expansão (1940/50). Atualmente, esta cultura está em franco declínio, os bananais sendo abandonados em sua maioria e a mata tomando conta das áreas antes agrícolas, incrementada pela migração do campo para as cidades. Este fator, entre outros, vem reforçando ainda mais o potencial turístico de Itanhaém, possibilitando a preservação dos ambientes.

 

Mata Atlântica

Na porção do parque situada entre as cotas 50 e 100 a mata está em bom estado de preservação apresentando potencial ecoturístico ilimitado. Nestas encostas são visíveis e acessíveis lindas e imponentes cachoeiras como a “Santa Teresa”, constituída por um véu com cerca de 80 metros de queda, a cachoeira “Ribeirão” no alto do rio Caepupu, com seus 100 metros de queda livre, a do “Mambu”, do “Itariru”, do “Taquaru”, a do rio da Palha, e muitas mais. Só na encosta Noroeste da Serra, são conhecidas mais de 20 cachoeiras importantes e corredeiras. O detalhamento da região requer de um amplo diagnóstico de campo para mapeamento de todos os acidentes naturais interessantes. No entanto, a população de Itanhaém, acostumada a longos passeios através de suas matas, conhece bem os meandros deste maravilhoso ambiente e suas riquezas naturais.

 

Aldeia Indígena

A Aldeia Indígena está inserida no Parque Estadual da Serra do Mar e foi demarcada em 15 de Abril de 1987, pelo CIMI-Conselho Indigenista Missionário, numa área total de 2.856 ha. Atualmente na reserva residem 70 indivíduos, sendo que na data da demarcação a população atingia 120 indígenas. Esta aldeia subsiste do extrativismo e artesanato na área demarcada. Atualmente, os indígenas mantêm também roçados de mandioca, banana, milho e feijão.