Publicado em: 14/07/2017 - Última modificação: 19/07/2017 - 17:00
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Conheça Sebastian, artista que conseguiu sucesso por meio da reciclagem

ARTE - No Galpão das Artes, onde o artista atua, são vendidas diversas outras peças



Releituras de obras de artistas consagrados, como Romero Britto e Tarsila do Amaral, estão no seu repertório

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“Viver de arte hoje em dia no Brasil não é fácil. E ela foi a melhor coisa que me aconteceu”, diz Sebastian Gonçalves, de 43 anos, exemplo de persistência. Para quem nunca obteve patrocínio em toda sua carreira, o sucesso em meio à crise parece ser o bastante, sendo que há 19 anos era garçom em São Paulo. Arte e sustentabilidade podem se unir – e ele é prova disso: desde 2011 vende seus quadros usando pneus de bicicleta como moldura, sendo sustentável ambiental e financeiramente.

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Conheça a história de Sebastian, artista que conseguiu sucesso por meio da reciclagem

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Nascido em Montes Claros (MG), Sebastian mudou-se para a capital paulista em 1992, onde entrou para o mundo da arte. “Comecei pintando azulejos. Aprendi a melhor técnica para fazer isso, que é usando os dedos”. Em 1998, em uma de suas folgas quando se sustentava como garçom, o artista decidiu ir ao centro da cidade e arriscar a vender seu trabalho: “Foi do nada. Eu fui apostando na sorte, e não é que vendi bastante?”.

Por quatro anos pintou azulejos, e passou a trabalhar com tinta a óleo – material que mais tarde ele deixaria de usar. Quando começou a pintar telas, Sebastian percebeu que tinha talento para a arte, e passou a viajar para diversos lugares pelo país, sempre vendendo suas obras. Foi nessa época que ele descobriu a importância de um processo que viria a ser crucial para o seu sucesso: a reciclagem. Ele conheceu também materiais de baixo custo.

No final de 2010, Sebastian mudou-se para Itanhaém, onde viveu o ponto alto de sua carreira. Sempre reciclando, o pintor inovou a forma de vender arte, praticando uma técnica que já foi assunto de televisão: usar pneus de bicicleta como moldura para seus quadros. “Comecei a fazer reciclagem por necessidade, por me sustentar apenas da arte, o que não é fácil hoje em dia no Brasil.” A prática consiste em recortar madeira reciclada, encaixar e ‘grampear’ no pneu.

Sebastian acha que a prática deveria ser comum, e seguida por todos. Afinal, de quebra, ainda dribla a crise financeira atual do país. “Todos deveriam reciclar. Vejo tantos materiais bons descartados por aí, quanto Madeiras de Lei, que são de ótima qualidade, e poderiam estar sendo aproveitadas”, afirma.

No Galpão das Artes, onde o artista atua, são vendidas diversas outras peças de arte. Sebastian faz releituras de obras de artistas consagrados, como Romero Britto e Tarsila do Amaral, e pinta quadros do tipo por encomenda. Ele também faz sua própria tinta, à base de água, látex, cola e pigmentação. A tinta a óleo, antes muito usada por ele, passou a ser ‘vilã’: “A caseira dura mais e não traz problemas para a natureza”.

Com as madeiras recicladas, Sebastian também faz carretéis, mesas e até mesmo bibliotecas. Em seu galpão são vendidos também antiguidades, além de chapeleiras, penteadeiras, entre outros móveis, todos patinados. Quem pensa que sua carreira está perto do fim, engana-se: “Sou persistente, tenho muito a fazer ainda”.


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