Publicado em: 23/08/2017 - Última modificação: 30/08/2017 - 18:21
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Balconista com Síndrome de Down supera dificuldades e é sucesso em loja de Itanhaém

SUPERAÇÃO - Célio aprendeu a ler sozinho e atualmente é balconista em uma loja de conveniência de Itanhaém



Sorriso e paciência são características fortes de Célio na hora de atender seus clientes

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Uma vida que transformou um menino solitário que brincava sozinho, tinha como maiores companhias as telenovelas e aprendeu a ler sem ir ao colégio, em um homem sorridente e rodeado de amigos. Célio Roberto de Souza, de 34 anos, tem Síndrome de Down e o começo de sua vida não foi fácil, mas ele conseguiu mostrar sua capacidade de transformar as dificuldades em verdadeiros sucessos. Atualmente, é balconista em uma loja de conveniência em Itanhaém: seus clientes viraram amigos e o trabalho tornou-se um local de distribuição de alegria e amor.

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Quem tenta descrever Celinho, como é mais conhecido, sempre se lembra de um sorriso enorme que encanta a todos. Alegria, dedicação, paciência, simplicidade e humildade também são adjetivos que o descrevem. Além de sua família e amigos, o balconista é apaixonado por novelas e atualmente suas preferidas são ‘Novo Mundo’ e ‘A Força do Querer’. No ano de 2008, ele se encantou pela telenovela ‘Beleza Pura’ e pela atriz Isis Valverde. Na trama, existia uma loja de conveniência, igual a que ele trabalha.

“Resolvi escrever uma carta para a Rede Globo, contando toda a minha história de vida e falando que trabalhava em uma loja de conveniência, assim como o personagem do ator Antônio Calloni. Por isso, fui convidado para conhecer o Projac e foi super emocionante”, conta.

Na época, Célio também teve a oportunidade de realizar seu sonho e conheceu Isis Valverde, que interpreta a sereia Ritinha em ‘A Força do Querer’. “Esse dia foi muito legal e faz parte da minha história. Eu entreguei até um ursinho de pelúcia para a Isis. Sou super fã, ela é ótima atriz, linda e engraçada. Hoje, eu adoro a sereia, sonho e espero muito o nosso reencontro”, completou.

O COMEÇO – Célio perdeu a mãe com apenas nove anos de idade e viveu uma infância difícil. Sem muita convivência com o mundo, ele praticamente não saia de casa e não frequentava a escola. De acordo com sua irmã, Eliana de Fátima Souza, de 39 anos, foi uma infância monótona. “Minha mãe era superprotetora e naquela época não tínhamos a informação que temos hoje. A notícia de uma criança com Síndrome de Down era algo que ninguém sabia lidar e, infelizmente, essas pessoas ficavam escondidas”, lamentou.

A irmã relembra ainda de momentos complicados de sua infância. “Minha mãe colocava o Célio em uma bacia grande com cobertores e travesseiros em volta e ele passava o dia ali, sentadinho, brincando sozinho. Ele quase não tinha amigos, existia aquele medo de alguma criança maltratar ou fazer algo ruim. Ele é até hoje uma pessoa muito pura e doce”, afirmou Eliana.

Foi apenas com 20 anos que Célio entrou, primeiramente, no Centro de Orientação aos Deficientes de Itanhaém (CODI) e depois em uma sala de educação especial da EM Leonor Mendes de Barros. Foi na escola que ele conheceu a professora Denise Rossmann Dominiske, de 44 anos, que foi uma divisora de águas. Foi ela quem percebeu, pela primeira vez, o grande potencial que existia dentro de Celinho.

“Na escola existia uma Oficina de Culinária, onde os alunos das salas especiais eram aprendizes e preparavam pães, doces, panetones e depois vendiam. Ele sempre foi muito esperto, dedicado e atencioso. Foi quando comecei a conversar com a família dele, para colocá-lo no mercado de trabalho. Assim que surgiu a oportunidade na loja de conveniência, eu rapidamente pensei no Célio e o indiquei”, explicou.

Denise relembra ainda do inicio de Celinho na escola e de toda a sua superação, como pessoa e como profissional. “Ele chegou sendo um aluno muito surpreendente, porque já sabia ler sem nunca ter ido ao colégio. Hoje somos amigos pessoais e ele passa vários finais de semana na minha casa, com a minha família. Ele é muito querido por todos e, eu tenho certeza, seu sucesso aconteceu por seu esforço e dedicação”, afirmou.

O PRIMEIRO EMPREGO – Célio trabalha numa loja de conveniência do Município há cerca de onze anos e foi escolhido para o cargo de balconista após realizar uma entrevista de emprego e uma prova. Ele conta que esse foi o seu primeiro emprego e, por isso, representou uma mudança muito importante em sua vida. “Foi um momento de extrema felicidade para mim. Aqui eu aprendi muito e fiz amigos. O mais gostoso do meu trabalho é atender os clientes e conhecer novas pessoas”.

O gerente Denis Alexandre França, de 39 anos, contou que o Celinho é um ótimo vendedor e é visto como um profissional como qualquer outro. “Ele está conosco todos esses anos porque é realmente um ótimo balconista, já ganhou até prêmio pelo seu atendimento, todos os clientes o adoram”.

Já Caroliny da Silva Reis, de 23 anos, é balconista e trabalha junto com o Célio há cerca de quatro anos. A jovem afirma que é impossível não se apaixonar por ele. “É atencioso e extremamente carinhoso. Está sempre pronto para ajudar ao próximo, é um doce. Além de tudo, é um maravilhoso exemplo de vida e força de vontade”, contou.

Bruno de Souza Lima, de 21 anos, está há um ano e cinco meses trabalhando na loja de conveniência e afirma que, desde o início, o Célio se mostrou um grande amigo. “Ele é muito divertido. Mesmo quando está cansado ou em um dia ruim, é sempre educado e faz as pessoas rirem. Não importa quem seja, ele trata todos bem”, completou.

Sobre os sonhos do futuro, Célio tem a resposta na ponta da língua: a felicidade. “Quero continuar sendo feliz e fazendo as pessoas felizes. O mais importante é superar minhas dificuldades e curtir meus amigos e família”, finaliza.


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