Publicado em: 18/03/2020 - Última modificação: 01/06/2020 - 13:55
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Sem intermediários nas vendas, produtores criam expectativa com orgânicos

MERCADO - A comercialização ocorre na Feira do Produtor, todos os sábados, no estacionamento da Prefeitura, respeitando as medidas de segurança, como distanciamento e uso de máscaras



A agricultura tem sido um mercado bastante visado. Foi o que sentiu o produtor José Viana Campos, de 73 anos, que além da idade, está no grupo de risco por sofrer alguns problemas de saúde

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Com o mundo vivendo as consequências da quarentena, as lições da pandemia de Covid-19 acenderam um sinal verde para o mercado orgânico, impulsionado por pequenos produtores que demonstram grande resiliência e veem na safra de alimentos saudáveis a demanda por orgânicos que podem reforçar a proteção à saúde. Marcos Gonçalves de Jesus, de 39 anos, pertence a uma terceira geração de família de agricultores e está à frente de um negócio que tenta manter meta de crescimento mesmo em tempos de isolamento social.

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“Esta crise tem mudado a forma como as pessoas veem o orgânico. Quero até aumentar a área de plantio”, enaltece Marcos, que também é presidente da Associação dos Produtores Rurais, Pescadores Artesanais, Aquicultores e Indígenas de Itanhaém e Região (Amibra). Logo que foi decretada a quarentena, o agricultor viu as vendas despencarem, mas com o passar das semanas a procura por alimentos saudáveis voltou a crescer. Hoje, o faturamento chegou a 60% do movimento normal – do que era antes do surto de coronavírus – mas a expectativa é de aumento para as próximas semanas.

“Se continuar assim, acredito que em menos de um mês voltaremos ao normal”, diz Gonçalves, que está otimista. Ainda segundo ele, não há intermediários nas vendas e elas ocorrem na Feira do Produtor, todos os sábados, no estacionamento da Prefeitura, respeitando as medidas de segurança, como distanciamento e uso de máscaras. “É do campo direto para o consumidor. Isso ajuda a promover o agricultor local e a diminuir o risco de contaminação, já que somos nós que fazemos a colheita e a entregamos ao cliente”.

Com foco na comercialização do inhame, cará-moela, coentro, couve, brócolis, quiabo, alface, batata doce, mandioca, beterraba, manjericão, palmito pupunha, açafrão, banana, repolho, Marcos e outros 50 produtores rurais vivem exclusivamente do que plantam e reduzem a mobilidade até o consumidor. Indagado sobre uma possível ampliação do negócio para e-commerce, ele é categórico: “Somos pequenos e queremos atender, por enquanto, as pessoas da nossa região, com tudo fresco. Prezamos pela qualidade”.

A agricultura tem sido um mercado bastante visado. Foi o que sentiu o produtor José Viana Campos, de 73 anos, que além da idade, está no grupo de risco por sofrer alguns problemas de saúde. “Estou vendendo normalmente. Não tive nem que alterar os preços dos produtos para os meus clientes. Tudo que vai – para a feira – sai no mesmo dia”. Ele comercializa mandioca, coentro, palmito, alface. “Tomo todos os cuidados de segurança”.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que orienta e presta auxílio aos produtores da Cidade por intermédio do Departamento de Agricultura, observa o crescimento por alimentos saudáveis. “O consumidor acabou percebendo o valor da agricultura familiar, que tem diversidade de produto, qualidade na produção e a demanda por orgânicos. Aumentou, inclusive, a percepção das pessoas sobre a importância do mercado local”, analisa Thais Muraro, formada em engenharia agronômica.

Os agricultores da Cidade também fornecem os produtos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Prefeitura de Itanhaém, que são encaminhados a famílias de baixa renda da Cidade. Além disso, uma compra emergencial foi aprovada pela Administração para atender a demanda da população carente por alimentos. “Isso é importante porque traz tanto benefícios às pessoas que têm necessidade de alimentos saudáveis quanto aos agricultores que precisam escoar seus produtos”, conclui o secretário de Desenvolvimento Econômico, Eliseu Braga Chagas.


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